Fóruns de Pesca


Fóruns de Pesca Nacionais

A intenção destas palavras não é a que a maioria poderá infecciosamente imaginar.Tais têm exclusivamente como propósito lançar um alerta aos membros e responsáveis para a responsabilidade que têm no estado actual da pesca nacional.

O desfile de vaidades e estatísticas não deveria ser o fundamento destes espaços mas acima de tudo a matriz educativa daqueles que, diariamente ou não, entram em contacto com os conteúdos absolutamente fúteis, os únicos aliás que parecem interessados em divulgar.


A facilidade com que hoje se cria um novo fórum devia constituir um valioso instrumento na difusão de estratégias e valores nobres e urgentes no actual estado ambiental e nomeadamente no que aos recursos marinhos diz respeito.

Ao invés, assiste-se em todos os fóruns sem excepção a uma corrida mórbida em busca de números que os possam colocar estatisticamente na vanguarda da banalidade. Funcionam tão somente para expor mais e mais atrocidades com o sorriso de quem é absolutamente incapaz de mostrar respeito ou atenção à vida que tanto prazer nos dá.

Nas palavras dos responsáveis o mais importante é a camaradagem, o convívio e claro, aparentemente os números que as estatísticas mostram mas que de longe representam qualquer tipo de qualidade.

Os que incomodamente procuram cunhar a diferença pela defesa da vida marinha e pela sustentabilidade da pesca são invariavelmente afastados pelas administrações ou tão somente pela sua própria consciência indisponível para aceitar este desfile de inutilidades e egos surrados.

Apesar dos valores que nortearam a origem de alguns destes fóruns o que se assiste é a uma vulgarização que não terminará com uma lavagem de rosto ou mudança de nome.

Os responsáveis são aqueles que com suposta mão de ferro são incapazes de organizar mais que uns simples encontros gastronómicos ou a divulgação de mais uma meia dúzia de amostras.

Falam-se de novas associações, criam-se novos clubes mas para fazer o mesmo que se fez até aqui, a divulgação a nível pessoal e o benefício do contacto com os importadores. Na essência, a atitude perante a pesca continua a mesma, cada um livre, ao sabor da sua falta de respeito. A mesma visão distorcida da realidade, alheia à necessidade de desenvolver mudanças drásticas na forma como a maioria actua.

A vulgaridade é o padrão por que medem as suas prioridades e nem a denúncia da sua incapacidade de liderança lhes desperta os sentidos para o que é irremediavelmente necessário fazer.

À sombra deste contra relógio inevitável aguardamos que valores mais nobres que petiscos e copos possam mediar a capacidade de liderança destes senhores.


Até já!!!

LIVRO VERMELHO DOS VERTEBRADOS DE PORTUGAL

Este é mais um artigo na sequência do anterior sobre pesca sustentável. A meu ver é fundamental divulgar estes estudos tanto mais que os responsáveis parecem fingir ignorar os problemas dos ecossistemas nacionais e portanto compete-nos acima de tudo a nós, cidadãos, preservar o que é nosso.








LIVRO VERMELHO DOS VERTEBRADOS DE PORTUGAL




"Livros Vermelhos são considerados documentos estruturantes de uma política de conservação da natureza, constituindo uma ferramenta da maior utilidade no contexto da conservação das espécies da flora e da fauna selvagens e respectivos habitats."

"Por outro lado, devem constituir obras em permanente actualização, reflectindo cada edição o melhor conhecimento científico disponível. A sua elaboração deve ser considerada como uma tarefa de interesse público e mobilizadora de todos os que disponham de informação relevante e actualizada para a avaliação do estatuto das diferentes espécies, nomeadamente entre a Comunidade Científica."


São acima de tudo a imagem do estado dos ecossistemas e demonstram o risco de extinção de algumas espécies.

Ficam aqui as normas que moderaram a criação das fichas de cada espécie.


Fichas de caracterização


"Foram elaboradas fichas de caracterização para as espécies classificadas como Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN), Vulnerável (VU), Quase Ameaçado (NT) e com Informação Insuficiente (DD). Quando apropriado, a ficha faz referência a subespécies e a populações distintas (populações migradoras e residentes) de uma mesma espécie, que são alvo de avaliações separadas.

Como tipo de ocorrência considera-se: espécie/população reprodutora (Rep) ou visitante (Vis). Sempre que possível, distinguem-se no primeiro grupo as residentes (Res) das migradoras (MigRep) que, no caso dos peixes, correspondem às espécies anádromas e, no caso das aves, às estivais nidificantes. Quanto às visitantes, no caso dos peixes correspondem às espécies catádromas e no caso das aves podem ser espécies/populações invernantes ou migradoras de passagem. Adicionalmente, assinala-se o carácter endémico dos taxa: do Continente, dos Açores ou da Madeira (End), ibérico (EndIb) ou da Macaronésia (EndMac). Refere-se ainda a situação relativa à presença ocasional (Oc) da espécie em causa (excepto para as aves, em que essa situação não é referenciada).

A categoria final e os critérios utilizados no primeiro passo da avaliação são apresentados de acordo com a norma da IUCN (p. ex. EN (B1ab(i,ii)+2ab(i,ii);D)), utilizando-se o asterisco (*) para assinalar as situações em que houve alteração da categoria no segundo passo da avaliação. Na Fundamentação explicitam-se os critérios que levaram à classificação da espécie e, quando for caso disso, os motivos de alteração da categoria no segundo passo da avaliação.

Cada ficha sumariza ainda dados relevantes sobre a espécie/população, organizados pelos seguintes tópicos: Distribuição, População, Habitat, Factores de Ameaça e Medidas de Conservação, sendo dado mais detalhe à informação referente à(s) região(ões) em que foi classificada como Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN), Vulnerável (VU), Quase Ameaçado (NT) e com Informação Insuficiente (DD). Para além das citações bibliográficas presentes ao longo dos textos, são apresentadas outras referências consideradas relevantes para fundamentar o conteúdo das fichas."


E as fichas do livro nacional correspondentes aos peixes em particular risco:


Pesca Sustentável !!!


Pesca Sustentável


Nesta minha primeira participação no Pesca Consciente não podia deixar de tratar um assunto que é indispensável conhecer nos dias que correm. A pesca sustentável.

Este primeiro texto tem como fonte a Greenpeace e é o ponto de partida para outros que visam aumentar e divulgar o conhecimento desta prática, como a única alternativa viável para garantir o futuro dos nossos recursos marinhos.

A nossa busca desmedida por peixe e o descontrolo de indústrias cada vez mais eficazes está a transformar os oceanos em desertos fruto de uma exploração até ao esgotamento total.

Um pouco pelo mundo inteiro, a preocupação de quem governa é o interesse pessoal, a salvaguarda da eleição ou reeleição, e a necessidade de garantir um futuro próspero e confortável impedem a tomada de medidas impopulares mas necessárias.

Assim cabe-nos a nós consumidores, garantir com as nossas escolhas, que a atitude correcta será levada a cabo pela indústria da pesca e que as reservas piscícolas serão defendidas.

Ninguém pescará o que o consumidor recusar comprar! As leis de mercado também funcionam ao contrário.

Nas nossas mãos está agora e cada vez mais uma responsabilidade extraordinária, nas nossas mãos está acima de tudo a premência de agir bem e depressa.

Que ninguém diga que não sabia!




O que significa “sustentável”?



"Em termos simples, pesca sustentável é aquela cujas práticas podem ser mantidas indefinidamente sem com isso reduzir a capacidade das espécies alvo de manter níveis de população saudáveis e sem ter impactos negativos noutras espécies do ecossistema, ao remover as suas fontes de alimentação, prejudicar o seu ambiente físico ou capturá-las acidentalmente.

Esta deve ser administrada de modo a considerar todas as espécies de vida marinha de um ecossistema.

Este critério é conhecido como “perspectiva a partir do ecossistema”. Não faz sentido tentar manter o nível dos stocks de uma única espécie de peixe saudável se, ao mesmo tempo, forem permitidas práticas de pesca que podem danificar o seu habitat (ou de outras espécies) ou pôr em causa a fonte de alimentação desta ou de outras espécies que dela dependam.
Em resumo, um ecossistema saudável é essencial para a manutenção eficaz dos recursos de peixe.

O facto de sabermos muito pouco sobre ecossistemas marinhos torna muito difícil gerir as quotas de peixe sem prejudicar o delicado balanço do ecossistema. É fundamental investigar e conhecer as complexas relações entre as espécies de um ecossistema, o modo como diferentes espécies respondem a mudanças no seu ambiente natural e os impactos negativos que as actividades humanas podem ter nestes meios sensíveis, inclusive o aquecimento global.

A solução é seguir o princípio da precaução, ou seja, quanto menos sabemos, mais cuidado devemos ter em relação à quantidade peixe de uma espécie alvo que capturamos e aos métodos que usamos para capturá-la.

Ainda mais importante é a criação de reservas marinhas. As reservas marinhas são como parques nacionais no mar onde os stocks de peixes podem recuperar naturalmente. Dentro das fronteiras destas áreas não são permitidos: pesca, actividades mineiras ou descarte de lixo. As reservas são essenciais para a recuperação e protecção da vida marinha e devem ser uma medida central em qualquer planeamento administrativo. É importante lembrar que, caso sejam cometidos erros na administração de áreas onde a pesca é permitida, há melhores hipóteses de reverter os danos causados caso existam reservas marinhas saudáveis próximas da zona.

Habitats sensíveis são aqueles que incluem espécies únicas e/ou espécies particularmente vulneráveis ao impacto humano. Entre eles estão importantes áreas de reprodução, locais de desenvolvimento de peixes juvenis e áreas que contêm espécies consideradas ameaçadas. É fundamental para a sustentabilidade dos nossos recursos marinhos que estas áreas sejam fortemente protegidas dos impactos negativos da pesca.

A pesca sustentável apoia a protecção destas espécies e habitats ao cumprir todas as regulamentações aplicáveis, fornecer informações à comunidade científica e reportar problemas que surjam às entidades competentes. É ainda indispensável que os planos de administração permitam o encerrar imediato da pesca caso sejam identificados impactos negativos.

Pescas sustentáveis retiram apenas uma pequena percentagem do stock da espécie alvo, permitindo que os stocks sejam mantidos em níveis abundantes e considerando o ecossistema no seu todo. Para os stocks que já são vítimas da pesca excessiva ou que estão “empobrecidos”, pode significar não retirar nenhum peixe, ou reduzir significativamente os níveis de captura de algumas espécies particulares até que o stock volte a atingir níveis saudáveis. Uma população tem mais hipótese de sobrevivência caso seja retirada uma pequena quantidade de indivíduos grandes e saudáveis, do que se retirarmos uma grande quantidade de elementos pequenos e em declínio.

É particularmente importante manter em níveis saudáveis os stocks de espécies de crescimento lento, como os tubarões e raias, porque produzem poucos juvenis; e os stocks de peixes de alimentação, como o arenque, a lula e o krill, porque, apesar de abundantes, são presas fundamentais para muitas espécies marinhas de grande dimensão e porque podem sofrer significativas flutuações nas suas populações por serem extremamente susceptíveis a impactos ambientais.

É frequente capturar mais do que uma espécie, mas também é muito frequente as políticas administrativas centrarem-se apenas nas espécies com maior valor comercial. As actividades de pesca sustentáveis têm como alvo uma gama variada de espécies, avaliam e administram a sua relação e protegem os stocks mais vulneráveis e menos saudáveis.

A pesca sustentável adopta todas as precauções para apenas capturar a espécie pretendida. Este tipo de pesca opta por métodos de captura que são sustentáveis para os habitats marinhos onde operam, nunca utiliza métodos que danifiquem permanentemente o fundo marinho e evita locais de reprodução, áreas que contenham juvenis ou habitats de espécies protegidas. No caso de a captura acidental se tornar um problema numa região, a pesca é imediatamente suspensa.

As cadeias alimentares nos oceanos não são lineares, pelo contrário, são redes altamente complexas. Isto significa que retirar uma grande quantidade de uma espécie pode ter consequências inesperadas noutras espécies do ecossistema. A pesca sustentável monitoriza estes impactos regularmente para evitar mudanças substanciais e prevenir que surjam problemas no ecossistema.

As alterações climáticas e a poluição têm efeitos devastadores na vida dos oceanos. Por um lado, as alterações climáticas aquecem os oceanos e alteram processos químicos importantes. Por outro, a poluição envenena e sufoca a vida marinha. A pesca sustentável trabalha para assegurar que não são largados resíduos nocivos no mar e que todo o material é trazido para terra e reutilizado, reciclado ou reprocessado de maneira ambientalmente responsável.

É muito importante considerar os impactos da pesca nas pessoas. A pesca ilegal, não regulamentada e não reportada mais conhecida por pesca pirata é um problema enorme.
Rouba recursos fundamentais a populações em risco e impede a administração responsável dos stocks.





A pesca sustentável opera sob leis e regulamentos locais, nacionais e internacionais, que incluem denunciar práticas ilegais testemunhadas durante as operações pesqueiras às autoridades relevantes e, sempre que possível, providenciar assistência financeira a nações mais pobres para que monitorizem a área e assegurarem que regulamentações e planos de administração estão a ser implementados.

A pesca sustentável respeita os direitos humanos e dos trabalhadores, paga salários justos e assegura a saúde e o bem-estar dos seus empregados. Este tipo de pesca contempla ainda as pessoas que podem ser impactadas pela pesca nas suas águas, garantindo que os acordos para a pesca são justos e garante que todos os afectados, em particular as comunidades locais têm nesta actividade uma fonte de alimentação e subsistência e são envolvidos nas decisões administrativas dos stocks de peixe.

Deve oferecer o historial de todos os peixes que vende, desde o ponto de captura até o mercado, de modo que os clientes identifiquem facilmente que são produtos sustentáveis."


Até já!!!

Pois é, o pesca consciente esteve parado por bastante tempo, infelizmente.

A partir de hoje tenho o enorme previlégio de partilhar este blog com um dos melhores pescadores de Spinning que conheço, o meu amigo Fernando Cruz, um pescador bastante completo e de consciencia total nas suas pescas e maneira de ser perante a natureza.
Libertar todas as capturas que faz e tentar incutir consciência nos outros são o seu forte, resumindo, o Fernando é um Spinner de muito respeito.
Para além disso gere tambem um excelente blog, http://amorplomar.wordpress.com, entre outros mais.

Fica a promessa de que muitos e variados conteudos vão ser inseridos no pesca consciente, que tanto necessita de um arranque sério, e que tanto agradeço ao Fernando o seu interesse!

Até breve.



Na foto, o Fernando Cruz.







Petição Contra Medidas de Erradicação da Carpa e do Achigã



Este governo tem cada ideia, enfim...

Petição Contra Medidas de Erradicação da Carpa e do Achigã

A APCF (Associação Portuguesa de Carp Fishing), e todos os cidadãos e Associações solidários com esta petição, em face do Diploma de Revisão da Legislação sobre espécies exóticas e invasoras, disponível para discussão pública no site do ICNB, vem apelar a todas as entidades envolvidas na criação e aplicação da referida legislação que a revejam e evitem tomar medidas de erradicação em relação à carpa (Cyprinus carpio) e ao achigã (Micropterus salmoides), espécies consideradas “exóticas” e “invasoras”, tal como referido nos Anexos I (“Espécies não indígenas introduzidas em Portugal continental”) e III (“Espécies não indígenas invasoras ou com risco ecológico conhecido”) do Diploma.
Os fundamentos para rever o referido Diploma neste aspecto, e para evitar ou suspender, no futuro, quaisquer “medidas mitigadoras” (Capítulo IV) que impliquem a “erradicação”, solução manifestamente exagerada e inadequada, tendo em conta os perigos ecológicos reais que as referidas espécies representam para os ecossistemas e espécies autóctones, são variadíssimos e profundos. Deviam, por conseguinte, ser tidos em consideração pelas instâncias (Governo e ICNB) envolvidas na revisão legislativa.
O Diploma em causa, não obstante a nobreza da luta pela preservação da biodiversidade, que subscrevemos inteiramente, devia merecer mais debate e ponderação científica, uma vez que, no respeitante ao domínio aquícola, se afigura totalmente desfasado das condições reais das massas de água portuguesas, sobretudo no concernente à carpa e ao achigã, quer no diagnóstico, quer nas eventuais soluções preconizadas.
Com efeito, apesar das razões alegadas, não há quaisquer fundamentos científicos e/ou empíricos que justifiquem medidas tão drásticas para espécies que, - o caso da carpa, residente na península há longos séculos é o mais notório - , já se integraram nos nossos ecossistemas, coexistindo sem problemas com as espécies autóctones. Mais, atendendo ao papel que desempenham já nos ecossistemas, a sua erradicação poderia trazer consequências negativas imprevisíveis.
Por outro lado, aos olhos da APCF e da opinião pública, é incompreensível que as verdadeiras razões para o declínio ou extinção das espécies autóctones de peixes sejam omitidas no debate sobre as espécies “exóticas” e “invasoras”, em que o papel nocivo da carpa e do achigã é manifestamente empolado e exagerado, quando não falseado. Essas razões são as seguintes:
a) Artificialização de leitos de rios através da construção de empreendimentos hidroeléctricos (Barragens), política que tem vindo a ser reforçada pelo executivo (em face da dependência energética de Portugal, das necessidades da agricultura e da ameaça da seca). Ora, a construção destes empreendimentos, prosseguida desde os meados do século XX, sendo útil e necessária – e estando fora de discussão -, tem acarretado a alteração profunda dos habitats originários das espécies nativas, maioritariamente de águas correntes, além de ter prejudicado ou mesmo impedido os seus ciclos reprodutivos (o exemplo do esturjão, espécie presente nos grandes rios ibéricos já extinta, é um dos mais óbvios). Constata-se assim que a esmagadora maioria das massas de água portuguesas, incluindo os rios, são ecossistemas profundamente artificializados. Este é um factor ecologicamente determinante a ter em conta, que – ainda que mencionado – parece ter sido desvalorizado neste Diploma, o que é contraditório com o seu espírito conservacionista e até, sublinhe-se, com os critérios de rigor científico. Com efeito, algumas das espécies referidas nos Anexos I e II, em especial a carpa e o achigã, são espécies bem adaptadas a viver em águas paradas, como as de grandes albufeiras de Barragem. No entanto, uma boa parte das espécies autóctones (VG barbos, bogas e trutas) conseguem e conseguiram sobreviver nesse tipo de ecossistema, a despeito de não constituir o seu habitat originário (águas correntes). Todavia, uma das razões principais para o seu declínio, em muitos casos, prende-se com o simples facto de viverem em ecossistemas artificializados com diferentes características e dimensões, para os quais não estão tão bem adaptados, e não com a presença das espécies residentes que pretendemos agora salvaguardar. Além do mais, dado que, no respeitante às albufeiras de barragem, as prioridades das medidas de gestão têm-se centrado na exploração hidroeléctrica e no abastecimento de água (para rega e consumo humano) – afinal os objectivos centrais para a sua construção - a gestão aquícola (também por outras ordens de razões) não tem sido praticamente feita ou não tem existido em Portugal, em particular no tocante à realização de repovoamentos dirigidos a espécies autóctones em declínio.
Em conclusão, as “medidas mitigadoras” propostas agora, relativamente à carpa e ao achigã, além de inadequadas, são incoerentes com o tipo de ecossistema em que se pretendem aplicar. Se em Portugal, por hipótese, as massas de água fossem, na generalidade, selvagens e totalmente estanques em relação a influências humanas e exteriores (designadamente de redes hidrográficas espanholas), as medidas seriam de alguma forma compreensíveis, não dizemos bem fundamentadas ou eficazes. Ora, é precisamente o contrário que acontece: são escassas ou praticamente inexistentes, em Portugal, as massas de água ou redes hidrográficas totalmente selvagens, sendo lógico que essas deviam ser preservadas. Mais, atendendo à política energética em curso, a tendência vai precisamente no sentido de se artificializar ainda mais os cursos de rios, com vista ao aproveitamento hidroeléctrico, como acontece já no rio Sabor e em outras redes hidrográficas, o que torna ainda mais incoerente a legislação sobre exóticas, sobretudo nos termos absolutos e descontextualizados em que é agora formulada.

b) Poluição urbana, agrícola e industrial.
c) Pesca lúdica e profissional desregradas e/ou abusivas.
d) Falta manifesta de políticas de repovoamento relativamente as espécies nativas de peixes, incluindo as ameaçadas de extinção.
e) Construção excessiva de empreendimentos turísticos e outros, como campos de golfe, em particular em zonas de reserva ecológica; construção de auto-estradas e pontes; desordenamento urbano e territorial.

Não há dúvida que os factores mencionados – com especial destaque para a pesca abusiva ou desregrada e os vários tipos de poluição - são, sem sombra de dúvida, bastante prejudiciais em relação à manutenção da biodiversidade (e não só do património aquícola), sendo legítimo inferir que têm representado, em Portugal, as causas principais para o declínio, ou mesmo extinção, de determinadas espécies de peixes.
Por outro lado, é fundamental realçar que não há estudos e dados científicos, em quantidade e qualidade suficientes, que permitam concluir, com grande probabilidade de certeza, que existe um nexo de causa e efeito entre a presença (em muitos casos decorrente da migração natural de espécimens pelas redes hidrográficas comunicantes com Espanha) de carpas e achigãs nas massas de água portuguesas e o declínio ou extinção de espécies autóctones.
Incontáveis dados empíricos, provenientes de todo o país, poderiam ser trazidos à colação para provar a coexistência harmoniosa entre espécies autóctones (como as várias espécies de bogas, barbos e a truta) e as ditas “exóticas” e “invasoras” (como a carpa e o achigã), sem prejuízo de pontuais medidas de controlo a realizar em relação a estas e outras espécies exóticas. Este, salientamos, é um problema científico e técnico que ainda não está suficientemente esclarecido, nem em termos teóricos, nem empíricos, a ponto de se poder defender, liminarmente, “medidas mitigadoras” injustificáveis e cegas, que contemplam inclusivamente, o que nos parece absurdo, a erradicação da carpa e do achigã, se é que essa medida pode ser algum dia realizável na prática.
Assim sendo, em vez de se propor, para a legislação portuguesa, a aplicação cega, e não devidamente fundamentada ou adaptada às diferentes circunstâncias, da Convenção sobre a Biodiversidade, devia-se ponderar, mais cuidadosamente, as condições específicas e problemas dos ecossistemas aquícolas portugueses, tendo em conta que não são, nem foram, ecossistemas estanques em relação à rede hidrográfica espanhola; tendo em conta que são ecossistemas artificializados. Por outro lado, os pescadores desportivos, ou seja, os actores sociais que melhor conhecem, no terreno, o estado real dos ecossistemas aquícolas, deviam ser mais ouvidos e, inclusivamente, consultados pelo ICNB, assim como a ANF.
Acresce que não estamos perante um problema estritamente técnico e biológico mas também político, social e cívico, uma vez que incide sobre a utilização e aproveitamento humanos das massas de água, e isso acontece a diversos níveis, económicos, sociais, lúdicos, etc. Um dos mais importantes é, sem dúvida, a pesca desportiva moderna, a qual se pratica, hoje, em moldes ecologicamente responsáveis – que consagram, cada vez mais, a pesca sem morte -, ao contrário do que sucedia no passado.
Mas, a pesca desportiva da carpa e do achigã, quer em moldes lúdicos, quer competitivos, atingiu hoje, em Portugal, um desenvolvimento ímpar, tendo adquirido, progressivamente, um papel social e económico enorme e ainda não devidamente aferido. Por conseguinte, estão em causa interesses e direitos adquiridos no concernente ao usufruto das massas de água, e relacionados com a presença da carpa e do achigã, que não se podem simplesmente omitir e ignorar.
Mais, num período de recessão económica, está também comprometido o aproveitamento turístico das massas de água através da pesca desportiva sem morte dirigida às duas espécies em referência, actividade, que em outros países da Europa, a começar pela Espanha, tem tido uma importância decisiva para o desenvolvimento sustentável do interior e para a criação de empregos alternativos, ecologicamente inócuos, em comparação com os tradicionais modos de vida relacionados com a pesca profissional, a agricultura e a indústria. Em todo o caso, mesmo omitindo a vertente turística (muito rentável e explorada em outros países), a pesca desportiva já tem um peso considerável na economia, tendo em conta a indústria e o comércio que alimenta. Consequentemente, seria um erro histórico, de consequências funestas para Portugal, pôr em causa, sem haver razões que o justifiquem, um património aquícola de valor incalculável, proporcionado pela presença de carpas (há vários séculos) e achigãs nas nossas albufeiras e rios.
Tanto é assim que em outros países da Comunidade Europeia, a começar pela França e Inglaterra, este tipo de medidas jamais será levado à prática (inclusive no concernente a outros predadores, cujo efeito nocivo também está longe de ser inquestionável cientificamente), sendo a carpa uma espécie protegida e valorizada, quer pelos governos e legislação, quer pelas culturas e tradições de pesca desses países.
Não estando esgotadas no presente manifesto, todas as razões – científicas, políticas, sociais e desportivas - que fundamentam esta petição contra a eventual erradicação da carpa e do achigã das massas de água portuguesas, consideramos um prioridade cívica apelar, ao ICNB e ao Governo, para que evitem, a todo o custo, tomar esse tipo de medidas drásticas que, além de não se justificarem, são manifestamente contraproducentes em relação aos objectivos pretendidos (conservação da biodiversidade), acarretando custos infinitamente superiores aos que, de forma mais rentável e justa, poderiam ser canalizados para medidas mais construtivas e eficazes, como as seguintes: combate às diversas formas de poluição, controle e salvaguarda dos caudais ecológicos – que em muitas ocasiões não são respeitados! -, estudos e repovoamentos consagrados às espécies nativas ameaçadas e nativas em geral, proibição e/ou limitação, no âmbito da pesca desportiva ou profissional, da retenção de exemplares de espécies nativas de peixes, etc.

Os Peticionários


Ainda vejo tão poucas assinaturas!

Não custa nada, é so o numero do B.I e o nome amigos! 

Saudações e muito obrigado!

Ângelo Santos





É com imenso prazer que me apresento.

Em primeiro lugar, olá caros amigos e futuros leitores deste blog.

O meu nome é Ângelo Santos, tenho 25 anos e vivo no norte de Portugal, muito perto do Porto, em Espinho.

Despertei o meu interesse pela Natureza ainda muito pequeno, sempre vivi num local rodeado por Ela, o mar, os bosques e pinhais sempre foram local de paragem para mim, e que sorte eu tive em nascer no meio desses "elementos".
Tornou-se numa paixão quando começei a pescar, faz oito anos neste ano corrente de 2009.

Pesco de muitas e variadas formas, começei pelo Surfcasting, passei para a Boia, apaixonei-me pelo Buldo, a pesca com amostras logo apareceu, e hoje em dia practico Spinning no mar, sou fanático pelo Achigã, e estou quase, quase, quase, a comprar material para a o Fly Fishing.

O objectivo deste blog é a partilha de conhecimentos sobre pesca, a partilha da paixão da natureza, e defender o bem mais precioso que provavelmente temos nas nossas vidas, a Natureza!

Muito obrigado por lerem este blog!

Saudações.

Ângelo Santos